Até em ... NSU !

O ano de 1971 começa com o IV Rallye do Targa , uma prova disputada no Norte de Portugal e que consiste num percurso de cerca de 500 km , metade dos quais percorridos em estradas florestais nas serras da Cabreira e Barroso , facto muito relevante se tivermos em conta o factor Inverno . Como se viria a verificar , de resto .
Ernesto Neves e Portela de Morais inscrevem um improvável NSU TT 1200 , de série , "adoptado" pelo   Team Palma ( os Palma tinham-se tornado agente da marca ) e acaba por ser o vencedor absoluto , batendo carros como o poderoso Porsche 911-S de Américo Nunes e alguns Datsun 1600 SSS . Escrevia Augusto Vilela , jornalista do "Motor" :
« Se muitos cavalos fossem Lei , os vencedores dos nossos ralis estavam sempre antecipadamente conhecidos , tal a diferença de potência existente entre os carros dos pilotos inscritos no Campeonato . Mas é sabido que outros factores intervêm e nem sempre maior potência é argumento para vencer . Ernesto Neves , ao ganhar o IV Rallye Targa , demonstrou-o claramente » . E , depois , acrescenta : « Talvez seja profundamente errado esse recurso aos carros caros e potentíssimos por parte de alguns pilotos , quando não dipõem das restantes condições técnicas que permitem o total aproveitamento das máquinas . E a prova é vê-los "patinar" na areia dessas florestais enquanto outros carros , com muito menos força mas bem conduzidos , passam mais rápidos . »
Na imagem de cima , o NSU TT à partida para a XXII Volta a Portugal .


... e como não lhe chegava vencer um Rallye com um carro pequeno e pouco potente , "Nené" ainda conseguia atrair sobre si a atenção das meninas mais interessantes da época ." It´s an injustice !" , diria Calimero  se já existisse ( Não existia . O "boneco"  foi criado em 1973 ) .

Semanas depois , "Nené" e Portela de Morais levam o "poderoso" ( 65 hp ! ) NSU  à XXII Volta a Portugal onde vão bater-se com dois Porsche 911 , um Alfa GTAM , vários Escort TC e BMWs 2002 , três Datsun SSS e  outros tantos Lancias HF , etc . Para espanto geral , vencem a primeira etapa e só não vencem a prova porque "Nené" decidiu , durante a segunda , demonstrar que o pequeno carro conseguia subir a escadaria de pedra de uma pequena igreja . Conseguiu subir ... mas já não desceu , o que levou os nossos heróis a chamar um táxi  (!) para os transportar até ao final da classificativa . Só que o motorista do "carro de aluguer" ( como se dizia , na altura ) decidiu impressionar os seus passageiros "corredores" e , num percurso que conhecia bem , chegou a andar mais depressa que alguns concorrentes à Volta ! ... Consta que "Nené" e Portela de Morais não ganharam para o susto ( do táxi , não da escada ... ) .

1 comentário:

António Vidal disse...

Lembro-me bem desta volta a Portugal. Tinha um igual e fez-me impressão vê-lo curvar rápido, sem a frente abrir, como acontecia com o meu.
No Parque fechado creio, que em Amarante, não estou certo, fui ver o que acontecia com o carro. De lanterna na mão comecei a inspeccionar a frente, tendo-me aparecido um mecânico que quase me acertou com uma chave Inglesa.
Explicações dadas, com um braço sobre os meus ombros, disse-me para colocar uma barra de torção á frente com o dobro do diâmetro. Era ilegal, mas o certo é que o meu carro jamais fugiu de frente nas curvas rápidas.
E eu jamais revelei o segredo do carro do Nené.