Américo de Jesus Costa

No dia em que trágica e brutalmente o Américo nos abandonou, aqui deixo sentida homenagem e reconhecimento pelos muitos serviços prestados. Sem ele, nem o Team Palma nem a minha carreira desportiva teriam tido a dimensão e o sucesso que tiveram. À família, aos amigos e, de uma forma geral, aos entusiastas pelo desporto automóvel em Portugal, envio esta manifestação de pesar que é também uma sincera manifestação de gratidão.  
Obrigado por tudo, Américo. Descansa em Paz
Ernesto Neves

A Nova Vida do Lotus 62

Vendido a um coleccionador japonês há quase duas décadas, eis que reaparece o Lotus 62 com o qual Ernesto Neves tantas vitórias conquistou. As cores do Gold Leaf Team Lotus voltam a "dar vida" a um dos mais belos e bem sucedidos carros de competição que animaram os circuitos portugueses nos anos setenta. Recorde-se que apenas dois exemplares deste modelo foram produzidos, facto que muito os valoriza no mercado internacional de automóveis históricos. Pode ser que um dia regresse ao local onde foi tão feliz.
Um belíssimo carro em qualquer parte do Mundo. Mas seria ainda mais bonito se continuasse por cá.


Os "Acidentes"

Em tempos alguém perguntou se Ernesto Neves alguma vez teria sofrido um acidente sério. Aqui se comprova que teve alguns, com vários graus de gravidade. A diferença é que, em vez dos muitos cavalos dos automóveis, estes acidentes eram provocados por um apenas. Para saber mais sobre esta e outras aventuras basta seguir o link "A Outra Paixão" na barra lateral deste blogue.

"E pensar que andei tantos anos a correr em automóveis sem sofrer um arranhão..."


"Troféu"

O fabricante de miniaturas "Troféu" pretende fazer uma reprodução à escala 1/43 do Ford Escort TC com que Ernesto Neves participou no circuito de Vila Real de 1969 e que aqui se documenta. Falta identificar o autocolante que se apercebe na base da porta do carro de "Nené" e no tejadilho do carro idêntico de António Peixinho. Alguém pode ajudar?
"Nené" em Vila Real. Que diz a inscrição por baixo da porta?
António Peixinho, em Montes Claros. Que diz o autocolante no tejadilho?


Foi Há 45 Anos

Parece que foi ontem, mas completam-se este mês 45 anos sobre a vitória de Basílio dos Santos / Ernesto Neves na XVI Volta a Portugal, ao volante do Porsche 356 SC de "Nené". Com o prémio do vencedor, 25 contos, este iria financiar a compra do seu Mini Cooper e começar a conquistar as suas primeiras vitórias a "solo". A "base" circular branca que se vê sobre o "capot" dianteiro não se destinava a servir de fundo ao número do concorrente, mas antes a "esconder" o enorme "crest" da Porsche que "Nené" mandou colocar e que  pode ver-se numa outra fotografia, mais em baixo. As organizações consideravam esse emblema como publicidade e, como tal, não o autorizavam.







A Próxima Geração

Assegurada que está a continuidade do ADN (N, de Neves) na próxima geração, eis que uma outra se anuncia. Os genes estão todos lá, basta olhar. E garantem que vai ser para andar depressa. Muito depressa.

A Despedida do "62"

O Lotus 62 representou uma evolução do Lotus 47 , o qual em 1969 já se vinha a revelar pouco competitivo face aos Chevron e outros carros da época . Martin Waide desenhou este chassis para a Lotus Components e com ele foram construídos dois protótipos para servir de base aos testes do novo motor LV240 de 2 litros , derivado do bloco Vauxhall . Um desses chassis acabaria por vir para Portugal , foi integrado no Team Palma  e proporcionou a Ernesto Neves um grande número de sucessos . Após a vitória deste no circuito de Moçâmedes de 1973 , o carro viria a ser vendido a um piloto local , Valdemar Teixeira , que acabaria por o destruir num acidente durante uma prova em que o carro tinha o número ... 62 ! Mais tarde , após a independência de Angola , o Lotus 62 regressou a Portugal , foi reconstruído por um ex-mecânico do Team Palma ( Américo ) e  vendido a Ernesto Neves , que o manteve até meados da década de 90 , altura em que o vendeu a um coleccionador estrangeiro . Neste momento supõe-se que estará no Oriente e que continua activo , nomeadamente em provas de clássicos .
Na imagem de baixo , obtida à partida para o Circuito de Moçâmedes de 1973 , Ernesto Neves aparece junto do Lotus 62 , na companhia de Maria José Pegado e Augusto Palma . Esta seria a última vitória da carreira de "Nené" e deste invulgar carro de competição .
  

A Colecção

Esta notável colecção de jornais "Motor" , cobrindo todo o período ( 1963 / 73 ) em que Ernesto "Nené" Neves desenvolveu a sua brilhante carreira desportiva , foi por ele oferecida ao autor deste blogue para servir como elemento de consulta para actuais ou futuros trabalhos relacionados com aquela que terá sido a época dourada do automobilismo de competição em Portugal . Nomes como Baptista dos Santos , Filipe Nogueira , Avelãs Coelho , Domingos Piedade , entre muitos outros , deram vida a centenas de páginas deste jornal , partilhando o seu saber e as suas opiniões com uma geração inteira de incondicionais  aficionados das corridas de automóveis .
Parafraseando o slogan de uma conhecida marca de relógios , nós nunca somos de  facto proprietários de um património destes ; limitamo-nos a guardá-lo e a preservá-lo para a próxima geração .

Ralph Broad ( 1927 - 2010 )

Ralph Broad , que faleceu recentemente no Algarve , era engenheiro mecânico e foi o fundador da "Broadspeed", em 1962 , uma bem sucedida empresa especializada em preparar "minis" para competição , tanto em rali como velocidade . Foi lá que Ernesto Neves transformou o seu Cooper S , tornando o conjunto praticamente imbatível em Portugal . Conta "Nené", que no dia em que foi à Broadspeed buscar o carro ,  este andava ainda  a ser testado e nele tinha sido montada uma enorme ponteira de escape , obviamente provisória , que deveria ser ajustada antes da entrega . Mas a pressa de trazer o "mini" era tal que o carro veio mesmo assim e depois fez "escândalo" nas pistas portuguesas , onde nunca ninguém tinha visto nada parecido . Houve quem dissesse que era para "aumentar a eficácia" mas tal não era verdade . Foi esquecimento mesmo .
Ralph Broad viveu os últimos 30 anos da sua vida no Algarve , onde tinha montado uma empresa de construção de lareiras fechadas , vulgo recuperadores de calor  .



"Nené" estreia o Cooper Broadspeed na Rampa da Pena , em 1966  . Vitória na classe e 2º lugar absoluto , logo atrás do Ferrari GTB/C de Aquiles de Brito .  Diz o jornal "Motor" que "acaba de nascer uma estrela" . E tinham razão .

Retrato do Artista Quando Jovem

Peço emprestado este título a James Joyce para encerrar o capítulo da ligação de Ernesto Neves aos automóveis de competição . Foram menos de dez anos de carreira , mas tanto bastou para que conseguisse nada menos que nove campeonatos nacionais e algumas relevantes participações internacionais . As comparações são sempre subjectivas e eventualmente injustas , mas quando são os próprios adversários a dizer que "Nené" era o melhor da sua geração , parece ser razoável assumir essa afirmação como uma realidade . Resta saber se terá sido o mais talentoso de sempre . Isso nunca se saberá , por não haver forma objectiva de fazer tal avaliação , mas é ponto assente que foi um dos maiores de toda a história do automobilismo nacional .

Nesta entrevista de 1967 , Ernesto Neves exprime uma série de curiosas opiniões pessoais e até acha , como verdadeiro "gentleman" que sempre foi , que o melhor "volante" nacional ainda não era ele próprio . Pois . Curiosamente , quando se fala em "maior aspiração" , Ernesto Neves revela que desejava conquistar um Campeonato Nacional de Velocidade . Dito e feito , conquistaria o campeonato desse ano ... e mais oito !!! Em apenas cinco anos , registe-se .

Presente e Passado

Curiosa imagem que documenta a actual "frota" de Ernesto Neves junto do painel onde constam todos os carros ( e um barco ... ) que tripulou durante a sua carreira desportiva .



Camaro à Chuva

Mais uma excelente aguarela saída da paleta de Luís Bívar , desta vez ressaltando a imponência e "agressividade" do Chevrolet Camaro Z28 deslizando suavemente no asfalto molhado de Vila Real 1972 .


Just Friends

"Apanhados" durante o Vila do Conde Revival , eis aqui dois dos nomes maiores da história do automobilismo desportivo em Portugal , Ernesto Neves e António Peixinho . Rivais de outrora , amigos de sempre , "Nené" e "Petit Poisson" até coincidem na preferência pela marca das camisas que vestem .

A(tracção) Total

Quando o "todo-o-terreno" surgiu sob a forma de "raids-maratona" já Ernesto Neves tinha terminado a sua carreira de piloto, caso contrário iria também deixar a sua marca nesta extraordinária modalidade . Mas tal tarefa seria assumida por alguém da família , neste caso o sobrinho Miguel Barbosa , nome de primeiro plano no panorama nacional de "Rallye Raid"  e figura de relevo no circuito internacional . Na primeira imagem , "Nené" prepara-se para uma volta de demonstração , ao lado do sobrinho , e nas outras podemos ver uma soberba sequência de imagens da participação deste no "Dakar" 2010 , que atravessou parte da  Argentina e do Chile .
A bordo do Mitsubishi Strakar  com Miguel Barbosa , para uma demonstração de TT realizada na Herdade do Esporão , em 2003
O Mitsubishi "voador" de Miguel "Neves" no Dakar 2010 . "Nené" diz que o sobrinho é Neves quando anda depressa e Barbosa quando abandona ou anda devagar . Consta que o pai do Miguel , Carlos Barbosa ( presidente do ACP ) ,  não aprecia o trocadilho mas reage com "fair play" à provocação . 

Os Verdadeiros "Cromos"

De uma caderneta de colecção de cromos da década de 60 , pertencente a Carlos Paes de Vasconcellos , retiro esta deliciosa página que inclui , além de Ernesto Neves , imagens de António Peixinho , Manuel Gião e Nogueira Pinto . Na colecção "Ases do Desporto" estavam também representadas figuras de outras modalidades , tais como o próprio Carlos P. Vasconcellos , na altura jogador de andebol do Benfica ( enfim , ninguém é perfeito ... )

Autógrafo

Durante o Vila do Conde Revival , Ernesto Neves foi um dos nomes homenageados pela organização em virtude da sua brilhante carreira automobilística e da sua tripla vitória no Circuito do Ave de 1970 . Assim , foram distribuídas pelo público algumas centenas de fotografias do piloto e do Lotus 62 , em acção em Vila do Conde , para serem autografadas . Para quem não teve oportunidade de ser "contemplado" , aqui deixamos um exemplar devidamente autografado por aquele que muitos consideram ter sido o melhor e mais bem sucedido piloto da sua geração . Para os coleccionadores , admitimos a possibilidade de enviar por correio algumas das fotografias que ainda restam , devidamente dedicadas . Contacto : jcg356@gmail.com

Aguarela

A versão final da aguarela de Luís Bívar representando o Lotus Seven que agora reapareceu em Vila do Conde pelas mãos de Ernesto Neves . Repare-se que até o capacete é o mesmo ...

Lembranças de Vila do Conde

Alguns dos carros mais significativos da carreira de Ernesto Neves aqui ilustrados pelo extraordinário talento de Rui Queirós . 
Igualmente , a "válvula" que simboliza o Vila do Conde Revival já está patente na sala de troféus .