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Vila Real 1971

O Lotus 62 na versão Cartão Visa Sottomayor a ser empurrado pelos mecânicos durante os preparativos para o Circuito de Vila Real de 1971. A fotografia é de J. Manuel Tavares




Ainda o Ford Capri 3000

Mais duas imagens magníficas da corrida de Grupo 1 em Vila Real 1971 que Ernesto Neves venceu ao volante do Ford Capri 3000. Na foto da esquerda vê-se um momento da luta com o BMW 2002 Ti de Christian Melville, que terminaria em 6º lugar da Geral, 3º em Grupo1.


Ford Capri 3000

"Voando" para a vitória em Grupo 1 no Circuito de Vila Real 1971 ao volante do Ford Capri 3000.
Fotos de Manuel Menéres



Vila Real 1971

Circuito de Vila Real 1971. Sorte diferente para Ernesto Neves nas duas corridas que as fotografias de Manuel Menéres documentam. Vitória indiscutível em Grupo 1 com o Ford Capri 3.0 GT e abandono na corrida de Sport Protótipos (Grupos 3, 4 e 5) ao volante do Lotus 62.



Mais Uma Vitória em Vila Real 71

Partida para a corrida dos dos Grupos 1 e 2 integrada no Circuito de Vila Real de 1971. À esquerda está o Ford Capri de Jorge de Bagration, carro que pertencera à equipa oficial Ford que disputou o Campeonato da Europa de Turismo de 1970. Ao centro vemos o Opels Commodore GS Steinmetz de Dieter Frolich e à direita o já "cansado" Ford Escort TC de Francisco Santos. Ernesto Neves surge um pouco atrás ao volante do seu Ford Capri de Grupo 1. Os Ford Capri seriam os grandes vencedores da corrida, com Bagration a vencer o Gr2 e "Nené" a impor-se no Gr 1. Os BMW 2002 Ti de José Lampreia e Christian Melville não conseguiram desta vez dar luta a Ernesto Neves devido a uma deficiente escolha de pneus.
Bibliografia - "Circuito de Vila Real 1931 / 1973", de Carlos Guerra. Edições Vintage
Foto - Luis Sousa


Vitória em Vila Real

A expressão do vencedor depois do triunfo na corrida de Fórmula Ford (e Fórmula V) no circuito de Vila Real de 1971 ao volante do Lotus 69F. Ernesto Neves obteve também a volta mais rápida.
Foto - Colecção Francisco Vieira e Brito


                                        


                                           A volta do triunfo com Jorge de Bagration

Vila do Conde 71

Imagem inédita da partida para o Circuito de Vila do Conde de 1971 em que se vê o Lotus 62 de Ernesto Neves "entalado" entre os Porsche 906 de Carlos Santos e Américo Nunes.
Fotografia de Luis Sousa


Lotus 62

Apesar de não ter vencido em Vila do Conde , o Lotus 62 do Team Palma é , em finais de 1971 , o carro mais competitivo existente em Portugal . Porém , tal estado de coisas não irá durar muito mais tempo , pois já se fala que o modesto parque automóvel nacional vai ser enriquecido com alguns "objectos" de luxo , para 1972 .


Lampreia no rio Ave

Não houve grandes novidades no programa de encerramento da temporada 1971 , em Vila do Conde , com Ernesto Neves a dominar , uma vez mais , a corrida dos fórmulas , tendo também  feito a "pole position" nos treinos , com cerca de um segundo de vantagem sobre o segundo classificado , Artur Passanha . Em GT & Protótipos , assistiu-se a um intenso duelo entre o Lotus 62 de "Nené" e o Carrera 6 de Carlos Santos que , desta vez , levou a melhor . Em Grupo 1 , o pesado Ford Capri não está à altura dos ágeis BMWs 2002ti , mas mesmo assim "Nené" consegue um segundo lugar nos treinos e igual posição na corrida , só perdendo para o excelente José Lampreia .

Carro pesado + suspensão macia = inclinação

Partida para a corrida dos Fórmulas Ford e V , com Ernesto Neves , Artur Passanha e Gianonne na primeira linha .

A Arte de Bem Subir

Segue-se a Rampa da Penha , organizada pelo Sport Clube do Porto , prova que conta para o Campeonato Nacional de Velocidade e para o Troféu de Montanha e que , além disso , vai marcar a estreia do Troféu Datsun , uma das mais importantes "escolas" de desporto motorizado que se conheceram em Portugal . Ernesto Neves vence em Fórmula Ford , com o Lotus Novamotor , e em GT , Desporto & Protótipos , com o agora imbatível Lotus 62  . Escreve Avelãs Coelho : « Ernesto Neves mostrou da maneira mais expressiva que hoje o Lotus 62 "anda" mais que o velho  Carrera 6 de Carlos Santos . Ganhou a Rampa , estabeleceu novo "record" e "deu" mais de 7 segundos ao piloto nortenho . »
Em grupo 1 , o Ford Capri não "chegava" para os BMW 2002ti , mas não foi por falta de esforço que "Nené" não se impôs .

Levando o Capri aos limites da aderência e da estrada , "Nené" quase arrasta consigo alguns espectadores desprevenidos , que não devem ter ganho para o susto .

Requiem por Montes Claros

Em 1971,  o belo circuito localizado no Parque Florestal de Monsanto vai ser utilizado pela última vez para provas de velocidade , dando lugar ao novíssimo Autódromo do Estoril , que será inaugurado no ano seguinte . Ernesto Neves despede-se do traçado com mais uma vitória na Fórmula Ford , apesar da presença de Mike Catlow , um piloto inglês de reconhecido mérito inscrito pelo "Team Motor" , e de dois dinarmaqueses de qualidade discutível . Em GT & Protótipos , "Nené" , ao volante do Lotus 62 , trava uma batalha épica com Carlos Santos , em Porsche 906 , acabando por conseguir um brilhante segundo lugar , logo depois do inatingível Porsche 908 de Jorge de Bagration .

O Lotus 62 de "Nené" , perseguindo o Porsche 908 de Bagration
Desta vez , o Porsche 906 de Carlos Santos não  chegou para o Lotus , e foi batido .
O saudoso "Tonicho" Portela de Morais e Ernesto Neves , na Volta de Honra dos vencedores das corridas de Fórmula V e Fórmula Ford . Junto com eles está a representante de Malta no concurso "Princesa Mundial das Teenagers" , organizado pelo Diário de Lisboa , e tudo leva a crer que a menina não foi escolhida por acaso . Já não há "princesas" assim ...

Ainda Vila Real ,1971

Impressionante imagem da partida para a corrida dos Grupos 3 , 5 e 6 , com "Nicha" Cabral , em Porsche 917 , Jorge de Bagration , em Porsche 908 e John Bamford , em Chevron B19 . Na quinta fila está Ernesto Neves , com o Lotus 62 .
     Coroas de louros para dois vencedores : para "Nené" Neves na Fórmula Ford , e para o suiço Giger Franz , na Fórmula V .

Ernesto Neves com Jorge de Bagration ,  dois grandes vencedores de Vila Real 1971 ( colecção Francisco Vieira e Brito )
"Nené" , o Lotus 69 e um estranho ( e bem equipado ) jornalista que parece Francisco Santos . Será mesmo ? ( colecção Francisco Vieira e Brito )

Duas Estreias

Em 1971 , o Circuito de Vila Real , incontestavelmente o "grande palco" do automobilismo nacional da década de 60 e princípios de 70 , começa a dar sinais de decadência , nomeadamente a nível da lista de inscritos para a prova "rainha" , GT & Protótipos ( grupos 3 , 5 e 6 ) . Ernesto Neves apresenta-se com um Ford Capri 3000 de série , ínscrito pelo Team Palma  para a corrida dos Grupos 1 e 2 , que se disputou em simultâneo , e vence o seu agrupamento ( Gr.1) , enquanto Jorge de Bragation , num Ford Capri de Grupo 2 , se sagra vencedor absoluto .
A outra novidade ficou para a corrida principal , em que "Nené" se apresenta com o recém adquirido Lotus 62 , um de dois chassis idênticos que Martin Waide concebeu para a Lotus Components e que era , basicamente , um desenvolvimento do Lotus 47 equipado com o novo motor Lotus DOHC , de dois litros de cilindrada . Porém , o carro apresentava ainda vários problemas de preparação e Ernesto Neves acabou por ter uma prestação modesta , não completando a corrida , uma vez mais ganha por Jorge de Bragation , desta vez ao volante de um Porsche 908 . Foi também nesta prova que apareceu um jovem Rui Guedes , tripulando um competitivo Porsche 907 , com o qual viria a obter um excelente quarto lugar nos treinos de sexta feira . No entanto , o carro seria destruído num inexplicável acidente durante a tarde de sábado .
Finalmente , "Nené" vence a corrida dos Fórmulas , que estranhamente mistura os F. Ford com os decadentes Formula V .

Os Ford Capri de Ernesto Neves ( esq) e Jorge de Bagration , respectivamente vencedores das corridas de Grupo 1 e Grupo 2 ( Fotografia de Carlos Guerra ) .
O Lotus 62 nas boxes ( colecção Francisco Vieira e Brito ) . A designação Lotus Europa Racing destinava-se a promover o modelo com o mesmo nome , representado em Portugal  por Palma & Morgado .

Sempre a Subir

Nas rampas de Monsanto e da Covilhã , o Lotus 69 de Formula Ford , agora equipado com um propulsor preparado em Itália pela Novamotor , não tem adversários à altura e "Nené" vence ambas as provas desta categoria , acabando ainda por impor o "Europa" no agrupamento GT , na Covilhã .



A Aventura Internacional


No intervalo dos ralis que disputa com o NSU ( Camélias , Rainha Santa , Antas ) e onde vai somando vitórias na classe e classificações mais que honrosas na Geral , Ernesto Neves tem uma breve "internacionalização" com o já antiquado Lotus Formula Ford em Zandwoort e Brands Hatch , obtendo resultados de "meio da tabela"  em confronto com pilotos como Jody Scheckter ( vencedor em BH ) , Tony Brise e Helmut Koenig . Nesta aventura  "Nené"  fez-se acompanhar por Artur Passanha , Portela de Morais e "Bombas" Sobral , uma equipa mais vocacionada para os "riscos" da vida nocturna do que para o acerto de suspensões , afinações de motor , etc .

Seguindo outro concorrente em Paddock Bend , Brands Hatch

Até em ... NSU !

O ano de 1971 começa com o IV Rallye do Targa , uma prova disputada no Norte de Portugal e que consiste num percurso de cerca de 500 km , metade dos quais percorridos em estradas florestais nas serras da Cabreira e Barroso , facto muito relevante se tivermos em conta o factor Inverno . Como se viria a verificar , de resto .
Ernesto Neves e Portela de Morais inscrevem um improvável NSU TT 1200 , de série , "adoptado" pelo   Team Palma ( os Palma tinham-se tornado agente da marca ) e acaba por ser o vencedor absoluto , batendo carros como o poderoso Porsche 911-S de Américo Nunes e alguns Datsun 1600 SSS . Escrevia Augusto Vilela , jornalista do "Motor" :
« Se muitos cavalos fossem Lei , os vencedores dos nossos ralis estavam sempre antecipadamente conhecidos , tal a diferença de potência existente entre os carros dos pilotos inscritos no Campeonato . Mas é sabido que outros factores intervêm e nem sempre maior potência é argumento para vencer . Ernesto Neves , ao ganhar o IV Rallye Targa , demonstrou-o claramente » . E , depois , acrescenta : « Talvez seja profundamente errado esse recurso aos carros caros e potentíssimos por parte de alguns pilotos , quando não dipõem das restantes condições técnicas que permitem o total aproveitamento das máquinas . E a prova é vê-los "patinar" na areia dessas florestais enquanto outros carros , com muito menos força mas bem conduzidos , passam mais rápidos . »
Na imagem de cima , o NSU TT à partida para a XXII Volta a Portugal .


... e como não lhe chegava vencer um Rallye com um carro pequeno e pouco potente , "Nené" ainda conseguia atrair sobre si a atenção das meninas mais interessantes da época ." It´s an injustice !" , diria Calimero  se já existisse ( Não existia . O "boneco"  foi criado em 1973 ) .

Semanas depois , "Nené" e Portela de Morais levam o "poderoso" ( 65 hp ! ) NSU  à XXII Volta a Portugal onde vão bater-se com dois Porsche 911 , um Alfa GTAM , vários Escort TC e BMWs 2002 , três Datsun SSS e  outros tantos Lancias HF , etc . Para espanto geral , vencem a primeira etapa e só não vencem a prova porque "Nené" decidiu , durante a segunda , demonstrar que o pequeno carro conseguia subir a escadaria de pedra de uma pequena igreja . Conseguiu subir ... mas já não desceu , o que levou os nossos heróis a chamar um táxi  (!) para os transportar até ao final da classificativa . Só que o motorista do "carro de aluguer" ( como se dizia , na altura ) decidiu impressionar os seus passageiros "corredores" e , num percurso que conhecia bem , chegou a andar mais depressa que alguns concorrentes à Volta ! ... Consta que "Nené" e Portela de Morais não ganharam para o susto ( do táxi , não da escada ... ) .