Grelha de partida para a corrida de "Turismo Especial" (Grupo 2) integrada no programa do circuito de Vila Real de 1970. O "Team Palma" Ford Escort TC de Ernesto Neves está na "pole position" e vai chegar ao fim da prova como vencedor. O BMW 2002 Alpina de José Lampreia e o Ford Escort TC de Francisco Santos completam a primeira linha da grelha.
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Copa Brasil 1970
Imagens da Copa Brasil 1970 disputada no circuito de Interlagos em São Paulo. Ernesto Neves participou na prova ao volante do Lotus 47 com o número 9.
As fotografias são de Rogério Luz
Vitória em Vila Real
A caminho de mais uma vitória, desta vez na corrida de Grupo 2 incluída no Circuito de Vila Real de 1970 com o Ford Escort TC do Team Palma.
Foto de Manuel Menéres
Foto de Manuel Menéres
Crónica de um Ano Vitorioso
"Conquistando três títulos de Campeão Nacional - Fórmula V , Fórmula Ford e Grupo 2 - Ernesto Neves foi a grande vedeta de 1970 , como já havia sido no ano anterior . Um piloto de verdadeira categoria , mas a pedir agora actividade internacional para se guindar a uma posição de grande relevo , conforme agora ficou uma vez mais demonstrado após a sua actuação no Brasil ... tal como Ernesto Neves , que deveria tentar algumas provas internacionais pois sobra-lhe valor para, no dia em que o desejar, poder rapidamente colocar-se ao lado dos bons pilotos europeus ."
Fotografia FLAMA/ José Mota Freitas
Em Interlagos
Em Dezembro de 1970 Ernesto Neves atravessa o Atlântico para disputar a Copa Brasil , uma corrida realizada no renovado Autódromo de Interlagos , no estado de S. Paulo . Vivia-se então , no Brasil , a euforia provocada pela chegada de Emerson Fittipaldi à Fórmula 1 e pela vitória por ele logo conseguida do GP dos Estados Unidos , razão que levou um grande banco paulista a patrocinar esta série de corridas , que deviam contar com representantes das várias comunidades de emigrantes residentes no estado de S. Paulo . Assim , além dos irmãos Fittipaldi , com os Lolas T210 e T70 , e de outros pilotos locais , participaram os espanhós Bragation e Soler Roig , em Porsche 908 e 907 , dois japoneses desconhecidos , e o italiano Moretti , em Ferrari 512 . A representação portuguesa ficou a cargo de Ernesto Neves , com o pequeno Lotus Europa Racing , que não tinha quaisquer argumentos para enfrentar a concorrência . Mesmo assim , "Nené" ainda conseguiu um honroso sétimo lugar entre os 17 concorrentes à partida . Emerson Fittipaldi , em Lola T210 , foi o vencedor natural .
Na imagem de baixo , "Nené" e o mecânico David , o mesmo que trabalhou uma noite inteira para reparar o motor do Lola T70 de Wilson Fittipaldi , que se recusava colaborar . Mais um exemplo da solidariedade lusitana .
Wilson Fittipaldi , em Lola T70 , ainda à frente de Emerson Fittipaldi , em Lola T210 .
Emerson e "Nené" , uma amizade que perdura .
O Tricampeão de 1970 ( entrevista )
Transcrição da entrevista concedida à jornalista Maria do Céu , do "Motor" , ela própria também piloto de velocidade e uma figura marcante do ambiente automobilístico da época .
"O popular Nené , sem dúvida o nosso mais cotado piloto de velocidade , conseguiu neste ano de 1970 um palmarés invejável e pouco fácil de igualar . Ele foi precisamente campeão em três dos agrupamentos em que correu e obteve ainda um segundo lugar do 4º agrupamento onde esteve presente . Vieram parar-lhe à mão as vitórias em Fórmula Ford , Fórmula V e Grupo 2 ( nas duas últimas com vitórias absolutas em todas as provas em que correu ) e um 2º lugar no agrupamento GT & Protótipos . Ernesto Neves , com quem falamos "in extremis" antes da sua partida para o Brasil , atendeu-nos com a sua habitual simpatia e franqueza de sempre . E quando lhe perguntamos se tinha tido dificuldade em obter os títulos que lhe foram conferidos após o Campeonato de Velocidade de 1970 , o nosso entrevistado respondeu :
- « Não posso dizer que tivesse tido grandes dificuldades , especialmente nos Vês e Grupo 2 , já que ganhei todas as provas que fiz . No entanto , reconheço que isso não é apenas consequência de eu ter sido melhor ou de as coisas me terem corrido quase sempre bem . O certo é que há relativamente poucos concorrentes a competirem a sério . Se houvesse mais concorrentes com melhores carros e assistidos por boas oficinas , elevando portanto o nível dos competidores , estou certo que nem tudo me correria às mil maravilhas . Se isso se verificasse , até os títulos por mim alcançados teriam mais valor .. Apesar de todas as contingências , pois naturalmente que estou satisfeito e reconheço que num determinado conjunto de circunstâncias me foi possível obter um palmarés difícil de igualar , mesmo por mim próprio , a menos que o nível do automobilismo evolua muito rapidamente . É bom não esquecer , também , que o campeonato teve apenas três circuitos e algumas rampas . Num campeonato a sério , com um número de circuitos normal , não sei se tudo me teria corrido assim tão bem . As hipóteses eram mais mas o factor azar também podia ter surgido mais vezes . "
Abordamos depois o facto de o Team Palma ter acabado e , consequentemente , como iria ser a sua aceitação na época que se avizinha . Nené esclareceu-nos :
- « O Team Palma acabou porque a sua existência não tinha interesse . Ao longo de bastante tempo fomos defendendo marcas que não são as representadas por Palma & Morgado como , por exemplo , a Ford , isso sem recebermos pela parte da marca beneficiada qualquer ajuda que se visse . Esta situação não nos interessava continuar a defender e , por isso , no próximo ano apenas correrei com o Lotus 47 . Talvez mesmo não procure outros carros enquanto não houver pistas . Nos Fórmulas terei que pensar bem no caso , porque não havendo Team Palma eu terei que jogar com os subsídios e verificar se eles chegam , ou não , antecipadamente porque não estou interesado em gastar do meu dinheiro . Se , feitas as contas , os resultados não forem maus , então continuarei .»
... e Mais Quatro "Poles" !
Este fim de semana vilacondense terá representado uma das maiores manifestações de genialidade alguma vez vista em matéria de desporto automóvel , em Portugal .
Com o acelerador a fundo , o Lotus 61 levanta a roda direita dianteira na curva da "seca do bacalhau" .
O Lotus Europa não tinha potência para fazer face ao Porsche 906 , mas chegava a "incomodar" .
O Romance de Vila do Conde
O cronista da "Renovação" , de Vila do Conde , referiu-se à organização em termos verdadeiramente entusiásticos , chegando a dar um novo significado às iniciais do Estrela e Vigorosa Sport , EVS . "Eficiência , Vontade e Sabedoria" , diz o escrevente , sem deixar margem para dúvidas . E gostei particularmente da parte em que se refere ao EVS como "prestante Clube Portuense" , forma subtil de confirmar a reconhecida vocação para a escrita das pessoas de Vila do Conde .
A Agonia de Montes Claros
Sem condições mínimas de segurança e com o piso muito degradado , o circuito de Montes Claros vai caminhando para o abandono , o que não vai demorar muito a acontecer . Uma vez mais "Nené" vence a decadente Fórmula V e impõe o Escort Lotus na corrida de Grupo 2 . Na Fórmula Ford , faz o melhor tempo dos treinos mas acaba por abandonar a corrida devido a problemas de motor , enquanto o Lotus Europa Racing se revela incapaz de fazer frente ao Porsche 908 de Bragation , em GT .
Vila Real 70
Cerca de 80 carros fazem a viagem até Vila Real para disputarem as cinco corridas inscritas no programa . À sua conta , Ernesto Neves leva nada menos do que quatro "montadas" para disputar quatro provas diferentes , a saber : o "Palma V" , com que ganharia a respectiva corrida ; o "Escort Lotus" , vitorioso em Gr. 2 ; o Lotus 61 , que chegou em 2º na Fórmula Ford ; e o Lotus Europa Racing , nome pomposo que "esconde" o velho Lotus 47 , que não terminaria a prova de GT .
Partida para a corrida de Fórmula V , vendo-se Miguel Rau ligeiramente adiantado em relação a "Nené" e António Barros .
O BMW "Alpina" de Lampreia arranca melhor que os Escort de Francisco Santos e Ernesto Neves , na partida do Grupo 2 .
Louros para Christian Melville e Ernesto Neves
Vitória em Espanha
Disputado no Circuito de Jarama , o "Trofeo Deporte Español" colocou em confronto alguns dos melhores carros e pilotos existentes na Península Ibérica , ficando a representação nacional a cargo de Ernesto Neves , Domingos e Bernardo Sá Nogueira , e Burnay Bastos . Depois de ter obtido o segundo melhor tempo nos treinos para a corrida de "Grupo 2" , com o Escort Lotus , "Nené" vai fazer uma das melhores provas da sua carreira e derrotar toda a oposição , nomeadamente o espanhol Lencina e o seu BMW 2002 Alpina , ex-Dieter Quester . O campeão português venceu a corrida à média de 110,073 km/h , tendo também obtido a volta mais rápida com o registo de 111, 316 km/h , o que diz bem do ritmo a que esta se disputou . Os outros portugueses desistiram , por várias razões .
Troféu do Vencedor e taça para a volta mais rápida .
A Experiência Aquática
Em Abril de 1970 , Ernesto Neves aproveitou uma pausa nas corridas de automóveis e decidiu testar-se a si próprio num "mundo" completamente diferente , a motonáutica . Para isso , acedeu a um convite de Luis Manuel Ramalho , uma conhecida figura do meio , que gentilmente disponibilizou um"casco" Molinari , ao qual " Nené" juntou o motor Chrysler de 105 cavalos que equipava o seu barco de recreio , usado principalmente para actividades de ski aquático . Depois, inscreveu-se no Grande Prémio da Páscoa , prova a decorrer na barragem de Elvas , incluída no chamado Torneio das Barragens . Competindo na classe ON , com um casco algo antiquado , "Nené" nada podia fazer contra os "catamaran" utilizados por outros concorrentes mas , assim mesmo , ainda logrou um magnífico terceiro lugar na prova em que participou , a qual foi ganha pelo "campeoníssimo" da altura , Manuel João Raposo , o iniciador de uma "dinastia" de campeões de motonáutica que continuaria com o seu filho , José Joaquim , e com o neto , Paulo Raposo .
"Nené" em versão "aquática" , por Luís Bívar
O barco de ski , o motor Chrysler ... e as meninas .
Manuel João Raposo ultrapassa "Nené" na "rondagem" de uma bóia .
Manuel João Raposo , o campeão que veio de Salvaterra de Magos e , em baixo , José Joaquim e Paulo Raposo , em acção . Acrescente-se esta mensagem de José Joaquim Raposo , para Ernesto Neves :
« É uma grande honra para a família Raposo ligada á motonáutica desde 1960 participar no BLOG de um GRANDE CAMPEÃO.
AbraçosLecas »
Os Mecânicos
Um piloto de automóveis poderia até ser genial , como era o caso , mas os seus esforços de nada valeriam se não tivesse por trás de si o talento , o trabalho e a dedicação de uma equipa de mecânicos eficaz e disciplinada .
Estas imagens representam uma pequena e singela homenagem a esse grupo de homens , cuja participação nas vitórias nem sempre tem o reconhecimento merecido .
Na imagem de cima , obviamente em Vila do Conde , são visíveis alguns dos mecânicos do Team Palma , a saber : Américo , Caneças , Álvaro , David, Moita , Joaquim e Calado . Francisco Santos e Augusto Palma , o "patrão , estão em primeiro plano . Por aqui se pode ter uma ideia da dimensão do Team Palma e da logística envolvida , uma vez que apenas uma parte da equipa está aqui representada .
Na imagem de cima , obviamente em Vila do Conde , são visíveis alguns dos mecânicos do Team Palma , a saber : Américo , Caneças , Álvaro , David, Moita , Joaquim e Calado . Francisco Santos e Augusto Palma , o "patrão , estão em primeiro plano . Por aqui se pode ter uma ideia da dimensão do Team Palma e da logística envolvida , uma vez que apenas uma parte da equipa está aqui representada .
Em baixo ,em pé , da esquerda para a direita : Luís Fernandes , Lampreia , Augusto Palma , Filipe Nogueira e "Nené".
De joelhos : Américo , o filho de Filipe Nogueira , Calado e David

Os mecânicos eram sempre dos primeiros a festejar as vitórias , como aqui se documenta . Do lado direito , com óculos e barbicha , está Domingos Piedade , um prometedor jornalista .
II Rampa de Monsanto
O histórico Clube 100 à Hora organizou a II Rampa de Monsanto , tendo "Nené" participado com nada menos que três carros diferentes : dois "fórmulas" ( V e Ford ) e Lotus Elan . Vitória folgada em ambos os "fórmulas" e segundo tempo absoluto ( com o FF ) , logo depois do Porsche Carrera 6 de Carlos Santos . Em GT & Protótipos o Lotus Elan ainda "chegou" para os três Porsche 911S de Lampreia , Américo Nunes e Pedro Rasteiro , só sendo batido pelo Ford GT40 de Fernandes e pelos Porsche Carrera 6 de Carlos Santos e Filipe Nogueira .
Em Quatro Frentes
A época começa justamente com o Elan , no Rallye das Camélias , permitindo a "Nené" a conquista de um honroso segundo lugar , logo atrás do "senhor dos Porsches" , Américo Nunes . Mas será na Rampa da Pena que o nosso campeão vai fazer história , com a estreia e vitória na Fórmula Ford , com o Lotus 61 . Assinale-se , como curiosidade , o facto de Américo Nunes ter aqui pilotado um carro de fórmula , um Lotus Ford , facto que aconteceu pouquíssimas vezes na carreira deste grande piloto .

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