"Nicha" Cabral e "Nené" . Os melhores pilotos portugueses de sempre ?
Karting
Ernesto Neves não começou a sua carreira pelos karts , ao contrário de muitos outros pilotos de sucesso da sua geração e seguintes . Como já se viu , preferiu preferiu as motos , a exemplo de alguns nomes grandes do automobilismo mundial , tais como Surtees , Hailwood , Ceccoto . Foi já quando estava há muito retirado das pistas que resolveu experimentar esta fórmula de iniciação , que tantos ilustres campeões produziu . Não consta que tenha ficado entusiasmado .
"24 Horas de Braga" , 1991 . Chovia copiosamente , o que ditou o recurso ao curioso fato impermeável .
Rali Maratona Portalegre, em 4x4
Em Abril de 1987 tem lugar o primeiro Rali Maratona Portalegre-Finicisa , uma organização de José Megre destinada a proporcionar aos portugueses um "cheirinho" do Raid Paris-Dakar , até então a aventura motorizada mais excitante que se disputava no planeta Terra . A prova constava de um prólogo , com cerca de 7 km , e de um único troço cronometrado com 600 km de extensão , composto por duas voltas a um percurso secreto escolhido na região de Portalegre . Ernesto Neves participa nesta maratona ao volante de um Range Rover quase de série , ao qual foi acrescentado um depósito de gasolina de maiores dimensões e uma caixa de velocidades mais "curta" que a original , para além de ter sido reforçada a suspensão . De resto , até o ar condicionado permaneceu instalado . Carlos Barbosa dividiu este carro com "Nené" , que começaria por vencer o prólogo , mas a dupla acabaria por abandonar quando o "Range" se atolou num lamaçal de onde só sairia rebocado por dois tractores . Isto depois de já terem sofrido três furos na mesma roda . Esta não seria , contudo , a estreia de Ernesto Neves no "todo-o-terreno" . Nos anos 60 , "armou-se" do VW "carocha" materno e foi disputar o Rali dos Montes Alentejanos , prova organizada por Fernando Carpinteiro Albino . Desconhece-se a reacção da Mãe de "Nené" quando recebeu de volta o seu tão estimado carrinho .
Até o Range Rover pode andar em duas rodas !...
O "Ernestão"
Na variada carreira de Ernesto Neves , uma categoria estava ainda em falta : os "stock cars", uma fórmula criada nos Estados Unidos e que tem como base a utilização de veículos de série , ainda que estes depois cheguem às pistas profundamente transformados . A oportunidade de "Nené" preencher esta lacuna chegou em 1982 , quando "PêQuêPê" decidiu participar no campeonato brasileiro da modalidade e gostou tanto que , mais tarde, convidou um grupo de amigos a participarem numa das provas , disputada em Jacarepaguá , no estado do Rio de Janeiro . Entre eles encontravam-se o "reformado" Ernesto Neves , Mário Silva e "MêQuêPê", todos figuras de primeiro plano da cena automobilística portuguesa de então . Para completar a experiência , os portugueses conseguem convencer os promotores do campeonato a organizarem um prova em Portugal , no Estoril , operação que comportava uma grande dificuldade logística uma vez que estes carros funcionavam com motores a álcool , combustível que não era ( nem é ) produzido no nosso país .
No dia 25 de Abril de 1982 disputa-se a corrida de Jacarepaguá , perante mais de 40 mil pessoas . Os portugueses , com excepção de Mário Silva , tinham carros pouco competitivos e isso notou-se nos tempos modestos que obtiveram nos treinos . A 5ª volta revelou-se fatal , quando Ingo Hoffman viu o motor do seu carro explodir , enchendo a pista de óleo , facto que provocou várias despistes , entre eles os irmãos "QuêPê" . "Nené" consegue passar incólume através da "molhada" mas , logo a seguir , fica sem caixa de velocidades . Mário Silva viria a salvar a honra do grupo , terminando num honesto 8º lugar na prova , que seria vencida por Paulo Gomes , o "Paulão" .
No dia 25 de Abril de 1982 disputa-se a corrida de Jacarepaguá , perante mais de 40 mil pessoas . Os portugueses , com excepção de Mário Silva , tinham carros pouco competitivos e isso notou-se nos tempos modestos que obtiveram nos treinos . A 5ª volta revelou-se fatal , quando Ingo Hoffman viu o motor do seu carro explodir , enchendo a pista de óleo , facto que provocou várias despistes , entre eles os irmãos "QuêPê" . "Nené" consegue passar incólume através da "molhada" mas , logo a seguir , fica sem caixa de velocidades . Mário Silva viria a salvar a honra do grupo , terminando num honesto 8º lugar na prova , que seria vencida por Paulo Gomes , o "Paulão" .
"MêQuêPê" aprova o nome "Ernestão" inscrito no carro patrocinado pela TAP
Os irmãos "QuêPê" e Ernesto Neves , nas boxes
"Ernestão", o stock car e as meninas
Diana Monte Real e "Nené" junto do Opala , no Autódromo do Estoril
Na Lagoa Azul
Em 1981 , Ernesto Neves cede às pressões do seu amigo "Quim" Nicodemos para tirar as "teias de aranha" ao GRD - agora propriedade de Mário Silva - e inscreve-se na Rampa da Lagoa Azul , um percurso de estrada situado em plena Serra de Sintra e já conhecido de outras provas . Com um carro claramente desactualizado , "Nené" consegue , mesmo assim , o segundo lugar da classificação geral , logo a seguir ao Porsche Aurora RSR de Joaquim Moutinho . As "mãozinhas" continuavam lá , mas a motivação era cada vez menor e um eventual regresso à competição continuaria a ser apenas uma miragem .
Regresso a Sintra
Em 1978 , Ernesto Neves volta a disputar a Rampa da Pena , um lugar e um percurso que tão bem conhece e de que tanto gosta . Não se trata de um regresso à competição após cinco anos de ausência , como desejavam os seus muitos admiradores , mas apenas uma oportunidade para "matar saudades" e fazer comparações . Os resultados não se fizeram esperar . Ao volante do Lotus 69 Formula Ford que agora pertence a Vítor Campos , "Nené" pulveriza o seu próprio record , batendo-o por uns esclarecedores 4 segundos e domina a prova a seu belo prazer . Questionado por Helder de Sousa sobre se teria encontrado alguma diferença significativa , após tão longa ausência , limitou -se a responder, no seu melhor estilo : "sim , estou mais gordo" !
Um Novo Capítulo
Em meados de 1973 Ernesto Neves dá por terminada a sua fulgurante carreira "oficial" de piloto de velocidade , durante a qual conseguiu o impressionante registo de 45 vitórias e nada menos que 9 Campeonatos Nacionais , tudo isto no curto período de apenas 7 anos de actividade . O fim do Team Palma , precipitado pelo desaparecimento do seu fundador , Manuel Palma , e a crise económica desencadeada pelo choque petrolífero , vão contribuir para a desmotivação de quem , aos 27 anos , já nada mais tinha para conquistar , a nível nacional . Porém , a relação de "Nené" com os automóveis e com a competição haveria de continuar por mais alguns anos ainda , embora em moldes completamente diferentes. É desse novo capítulo que iremos agora dar conta .
Ponto Final
"Nené" ainda não sabe , mas o Grande Prémio do ACP , disputado no Autódromo do Estoril , irá marcar o termo da sua carreira desportiva "a sério" . Mais tarde voltará , com participações esporádicas noutras provas mas a título excepcional e apenas por simples divertimento . Mas voltando ao pomposamente chamado "Grande Prémio" , o Team Palma mostrava-se pouco confiante para a corrida de Grupo 1 , uma vez que o Camaro já há algum tempo vinha a dar claros sinais de "fadiga" e o carro idêntico de "PêQuêPê" parecia , pelo contrário , vir a "subir de forma" . Nos treinos , Ernesto Neves é surpreendentemente mais lento que os Alfas dos Sá Nogueira e o outro Camaro , quedando-se por um improvável quarto lugar , só possível porque o carro "fumegava intensamente quando curvava" . Mesmo assim "Nené" lá partiu para a corrida com o único objectivo de chegar ao fim , o que conseguiu , embora num modesto 5º lugar , enquanto "PêQuêPê" se veria novamente na posição mais alta do pódio , desta vez com mérito absoluto . Nos treinos para a corrida dos Grupos 3,4 e 5 , Dave Walker repetiu a "pole" de Vila Real e Carlos Gaspar levaria o Lola Bip à terceira posição , logo depois do Chevron de Martin Raymond . Ernesto Neves , com o GRD , consegue o sexto posto , atrás dos Chevron B23 de Juncadella e Lepp . "Nicha" Cabral faria a 8ª posição , com o March , vindo depois o GRD de "Lumaro" e outros carros menos competitivos . A corrida seria comandada por Dave Walker até à 20 ª volta , altura em que o piloto inglês bateria o record absoluto da pista para , logo a seguir , se despistar e abandonar . John Lepp herdou a liderança da prova que , entretanto , tinha ficado "ao rubro" com a luta que Ernesto Neves e Carlos Gaspar travaram pelo título de "melhor português" , que o primeiro venceu , acrescentando o terceiro lugar da classificação geral ao seu já vasto palmarés . Mas a tragédia estava prestes a bater à porta do Team Palma e aquele que foi um dos maiores campeões da história do desporto automóvel português iria , em breve , anunciar o seu abandono da competição . Uma vez mais , "uma tragédia nunca vem só".
Depois da partida , o GRD de Walker vem na frente , seguido do Lola de Carlos Gaspar , enquanto o GRD "Visa" de Ernesto Neves ainda está na sexta posição .
"Nené" passa Gaspar e prepara-se para ser o melhor português à chegada .
Uma semana depois desta corrida , Manuel Palma morre num brutal acidente de automóvel . Ernesto Neves perde assim o amigo , o mentor , a referência de muitos anos e , em sinal de luto , decide abandonar a competição . De igual forma , o Team Palma suspende a actividade e , em consequência , o panorama do desporto automóvel em Portugal nunca mais seria o mesmo .
"Nené" e as Crianças
Em 1973 , a popularidade de Ernesto Neves está no auge e a sua imagem de vencedor é disputada pelas modestas agências de publicidade portuguesas de então . As fotografias que junto reflectem os resultados de uma produção , realizada por uma delas , servindo-se de crianças provenientes do leque de amigos do nosso campeão , a saber : Sofia Paiva Raposo , cumprindo exemplarmente o papel de uma das ardentes admiradoras que aquele capacete suscitava , Nuno Romão , representando na perfeição um "Nené" irreverente e provocador e , finalmente , João Pedro Guimarães , aparentemente o mais "cool" e reservado do grupo . As imagens , de excelente qualidade , falam por si e são extremamente eloquentes . O carro de corrida , o perigo ( capacete ) , a atracção do "público feminino" , o ambiente informal e divertido , são traços comuns a todas as fases da carreira de Ernesto Neves e aqui ficam ampla e originalmente documentados .
As fotografias , da autoria de Nic Boothman , "fizeram" as montras das lojas "Materna" de Lisboa e Cascais durante várias semanas e tiveram , como seria de esperar , um enorme sucesso .
Nota - As "bocas" do Nuno "Nené" são da exclusiva responsabilidade do autor do blogue .
As fotografias , da autoria de Nic Boothman , "fizeram" as montras das lojas "Materna" de Lisboa e Cascais durante várias semanas e tiveram , como seria de esperar , um enorme sucesso .
Nota - As "bocas" do Nuno "Nené" são da exclusiva responsabilidade do autor do blogue .
"Está bem , pronto , eu gosto de ti . Mas agora deixa-me ir fazer a volta mais rápida"
"Vais ver a cara do João Pedro quando ele perceber que lhe esvaziei os pneus . "
"Oh Sofia , ou me dás a chave do carro ou logo não te levo ao "Van Gogo" !
O Fim de Vila Real Internacional , parte II
Como já foi dito , o "plantel" inscrito na prova principal , Grupos 3 , 4 e 5 , era de alta qualidade , com destaque para os Lola T292 do Team BIP , para Carlos Gaspar e Carlos Santos , um outro T292 para Jean-Louis Lafosse e um quarto para Tony Birchenhough . Vários Chevron B23 estavam presentes , com destaque para Peter Gethin , John Bridges , Juncadella , Jorge de Bragation , Roger Heavens , entre vários outros . Vic Elford inscreveu dois March 73-S BMW , um para si próprio e outro para "Nicha" Cabral , enquanto a GRD apresentava um carro oficial , para Dave Walker , e dois outros para Ernesto Neves e "Lumaro". Nos treinos seria Dave Walker a fazer o melhor tempo , com larga vantagem sobre o segundo classificado , Carlos Gaspar , tendo "Nené" garantido a quinta posição . Após a partida para a corrida , Walker toma a dianteira e Ernesto Neves assegura o terceiro lugar , posição que manterá até à sétima volta , altura em que é obrigado a abandonar devido a baixa pressão de óleo do motor . Vai assistir-se depois à "corrida da vida" de Carlos Gaspar que , gradualmente , ganha posições e acaba por assumir a liderança à 28ª volta , acabando por vencer a corrida .
Carlos Gaspar , com o Lola T292 , vencedor do último Circuito Internacional de Vila Real e detentor do record absoluto
Onde se comprova que Ernesto Neves passou pelo autor do blogue , em Vila Real 73 , e nem sequer deu um "ciao" ... ( fotografia José Guedes )
O Fim de Vila Real Internacional , parte 1
Em 1973 , Vila Real vai conhecer o seu último Circuito Internacional e assim pôr termo a uma série de eventos de alta qualidade que marcaram toda uma geração . E a despedida , talvez por imprevista , incluiu um lote extremamente valioso de pilotos e automóveis , bem à altura do melhor que então se fazia no resto da Europa . Nomes como Vic Elford , Dave Walker , Juncadella , Bragation , Roger Heavens , Carlo Facetti , Bob Wollek , Guy Edwards , etc , eram "primeiras figuras" da cena automobilística europeia e tiveram pela frente um lote de portugueses bem equipados , tais como Ernesto Neves , "Nicha" Cabral , Carlos Santos e Carlos Gaspar , para referir apenas alguns . Mas vamos por partes e comecemos pela corrida de grupo 1, onde havia grande expectativa pela presença de dois "Camaros" ( "Nené" e "PêQuêPê ) e dos Alfas GTV da Mocar , tripulados pelos irmãos Sá Nogueira , além dos BMW da Trevauto , para Melville e Albio Pinto , entre muitos outros . O "Camaro" de Ernesto Neves saiu da "pole position" e ao fim de três voltas já tinha 10 segundos de vantagem sobre o carro idêntico de "PêQuêPê" e 30 para os Alfas . Gradualmente , esta diferença foi aumentando e ao fim de 19 voltas ( penúltima volta ) "Nené" tinha o outro "Camaro" a 46 segundos e os Alfas a 1m 40 . Foi então que se deu o "golpe de teatro" quando , a cem metros da linha de chegada e em frente a um posto de gasolina ( cúmulo da ironia ) , o carro do grande campeão se imobilizou ... por falta de combustível !!! Alguém fez mal as contas e , quando tal acontece , o preço a pagar é muito elevado . "PêQuêPê" , o pseudónimo de Pedro Queiroz Pereira , iria assim obter uma saborosa mas inesperada vitória .
O "Camaro" de Ernesto Neves passa na "salsicharia" ...
... mas , desta vez , será o carro idêntico de "PêQuêPê" a fazer a festa ( imagem cedida por José Mota Freitas ).

O Camaro nas boxes , junto de José Carlos Botelho Moniz e Madalena Monte Real , mulher de Ernesto Neves . Em baixo , os Alfas dos irmãos Sá Nogueira e uma fase da corrida em que se vê o carro de "Nené" a curvar a milímetros do lancil do passeio .
Chega o GRD
Regressado à "metrópole" , Ernesto Neves vai encontrar o seu "presente" mais desejado , um GRD S-73 , um dos carros de "Sport" mais competitivos da época , a nível nacional e internacional . Criada em 1971 por um grupo de ex-empregados da Lotus Components , a Group Racing Developments concentrou os seus esforços na produção de "Fórmulas" ( 2, 3 e Atlantic ) e carros de "Sport" , e obteve um sucesso considerável até que , em 1975 , a empresa se extinguiu , em parte devido à crise petrolífera . O chassis de "Nené" tinha o número S-73/072 e vinha equipado com um motor Racing Services , de cerca de 270 cavalos , sendo assistido pelo Team Palma sob a responsabilidade de David Monteiro . Logo nos testes privados realizados no Autódromo do Estoril , "Nené" tornou-se no português mais rápido de sempre neste circuito , enviando um claro sinal à concorrência .
Moçâmedes , Parte II
O Circuito de Moçâmedes era , como já foi dito , muito mais do que uma corrida de automóveis . Era , sobretudo , uma festa , e tudo isso está patente nas fotografias que aqui se juntam . Mas chamo , sobretudo , a atenção dos leitores para este texto de Ricardo Grilo , a quem agradeço .
"... no comando, Ernesto Neves teve o seu momento de apuro quando se apercebeu que o extintor estava a perder neve carbónica para dentro do habitáculo do Lotus, obrigando o piloto a partir com o punho o vidro do seu lado de modo a arejar convenientemente o carro. Já perto do final da corrida, Carlos Santos viria à box com uma fuga de gasolina num carburador, perdendo a segunda posição para o Porsche de Nunes. Três voltas depois, novo regresso à box e novamente a perda de mais um lugar, desta feita para o GT40 de Marta. No final, Ernesto Neves venceria e, antes da volta de honra, seria obrigado a mergulhar (vestido) nas convidativas águas da baía de Moçâmedes (note-se que se tratava das "Festas do Mar"). Podia ser pior: a água estava excelente e entre os muitos admiradores que o acompanharam no banho estava a conhecida Riquita, uma ex-Miss Portugal. Depois do banho, viria finalmente a volta de honra, o champanhe e os aplausos.
O regresso à metrópole também teve algumas histórias: Neves veio sem carro, porque o vendeu aos irmãos Fraga, importadores angolanos da Lotus. Américo Nunes também lá deixaria o seu belo Carrera 6, cedido a Herculano Areias. Quando Artur Ferreira, o reporter da (então revista) Motor encarregue de entrevistar os pilotos nacionais à chegada a Lisboa, foi ao aeroporto esperar pelos concorrentes, encontrou apenas Ernesto Neves e Carlos Santos. Como ele escreveria posteriormente na reportagem da revista, "Américo Nunes resolvera quedar-se pelas areias do Namibe,"preso"a alguma Welwitchia Mirabilis*..." 

O Lotus 62 , na sua versão "Moçâmedes", visto por Luís Bívar
Américo Nunes , "Nené" e Emílio Marta , na volta dos vencedores . Mas o que é "aquilo" ? Um Renault Floride ???
Os pilotos não ficaram muito bem na fotografia , mas é pouco provável que alguém repare neles ...
Em baixo , Riquita , já Miss Portugal , homenageada por mucubais e vestida com o traje ritual das mulheres desta tribo do sul de Angola . Lindíssima , em qualquer circunstância .
Moçâmedes , 1973. A Última Vitória
Finalmente , após várias tentativas frustradas , Ernesto Neves vai mostrar o seu talento em terras de Angola , mais exactamente em Moçâmedes , cidade onde se disputa um circuito integrado nas "Festas do Mar" . Segundo ao colaborador do "Motor" que fez a reportagem , o ambiente nesta cidade do Sul de Angola era semelhante ao que se vivia em Vila do Conde , na "Metrópole" , uma vez que apesar de estas não serem as corridas mais importantes da "Província" , o entusiasmo do público local era transbordante . Os pilotos "metropolitanos" eram "Nené" ( Lotus 62 ) , Carlos Santos ( Aurora Porsche ) e Américo Nunes ( Porsche Carrera 6 ) , que iriam defrontar um conjunto de concorrentes locais equipados com carros de Grupo 2 , excepção para Emílio Marta , que dispunha ainda do já "cansado" Ford GT40 . Vitória tranquila do campeão português , que acabaria por "deixar" o Lotus 62 em Angola , vendido aos irmãos Fraga , para ser tripulado por um piloto local , Valdemar Teixeira . Suspeitava-se então que "maquinaria" mais exótica estava para chegar às oficinas do Team Palma .
Como se constata através da reportagem de um jornal local , após a vitória , "Nené" foi forçado a cumprir um mergulho ritual nas águas quentes do Atlântico angolano . Para não correr risco de afogamento em tão arriscada missão , o nosso campeão fez-se acompanhar pela belíssima "Miss Portugal" 1971 , Riquita . Ninguém poderia imaginar , mas Ernesto Neves estava então a comemorar a sua última vitória , em provas de velocidade pura . O panorama do automobilismo nacional nunca mais seria o mesmo .
Resta acrescentar que Carlos Santos viria a vencer a corrida de Grupo 1 , disputada na véspera , com um Ford Capri 2600 , cedido pelo representante local da marca , Renato Fraga .
Como aqui amplamente se documenta , "Nené" também era o mais "rápido" com as mulheres . E se Moçâmedes foi a última vitória nos automóveis , no "resto" muitas conquistas ( e alguns fracassos , presume-se ) haveria ainda para celebrar .
Tudo leva a crer que esta legenda seja relativa à corrida de automóveis , mas ...
Consagração no Estoril
Em Novembro , voltam as corridas ao Autódromo , para terminar oficialmente a época de 1972 . Desta vez o Camaro aguenta o esforço e Ernesto Neves vence a corrida de Grupo 1 , sagrando-se "in extremis" Campeão Nacional .
Na corrida dos Fórmulas destaca-se a presença dos bem competitivos Fórmula Super V , claramente mais rápidos que os Ford . Mesmo assim , "Nené" consegue um lugar na primeira fila da "grelha" , logo depois de Hotz e Leonhard , ambos em Super V . Porém , à quarta volta , Ernesto Neves abandona , alegando instabilidade do carro . Na prova dos Grupos 3 , 4 e 5 , o Lotus 62 vai medir forças com meia dúzia de Chevrons B21 e mais alguns Lola T212 , conseguindo um honroso quinto lugar nos treinos e uma "performance" interessante na corrida , mas acabaria por desistir devido a avaria .
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