Moçâmedes , 1973. A Última Vitória

Finalmente , após várias tentativas frustradas , Ernesto Neves vai mostrar o seu talento em terras de Angola , mais exactamente em Moçâmedes , cidade onde se disputa um circuito integrado nas "Festas do Mar" . Segundo ao colaborador do "Motor" que fez a reportagem , o ambiente nesta cidade do Sul de Angola era semelhante ao que se vivia em Vila do Conde , na "Metrópole" , uma vez que apesar de estas não serem as corridas mais importantes da "Província" , o entusiasmo do público local era transbordante . Os pilotos "metropolitanos" eram "Nené" ( Lotus 62 ) , Carlos Santos ( Aurora Porsche ) e Américo Nunes ( Porsche Carrera 6 ) , que iriam defrontar um conjunto de concorrentes locais equipados com carros de Grupo 2 , excepção para Emílio Marta , que dispunha ainda do já "cansado" Ford GT40 . Vitória tranquila do campeão português , que acabaria por "deixar" o Lotus 62 em Angola , vendido aos irmãos Fraga , para ser tripulado por um piloto local , Valdemar Teixeira . Suspeitava-se então que "maquinaria" mais exótica estava para chegar às oficinas do Team Palma .
Como se constata através da reportagem de um jornal local , após a vitória , "Nené" foi forçado a cumprir um mergulho ritual nas águas quentes do Atlântico angolano . Para não correr  risco de afogamento em tão arriscada missão , o nosso campeão fez-se acompanhar pela belíssima "Miss Portugal" 1971 , Riquita . Ninguém poderia imaginar , mas Ernesto Neves estava então a comemorar a sua última vitória , em provas de velocidade pura . O panorama do automobilismo nacional nunca mais seria o mesmo .
Resta acrescentar que Carlos Santos viria a vencer a corrida de Grupo 1 , disputada na véspera , com um Ford Capri 2600 , cedido pelo representante local da marca , Renato Fraga .

Como aqui amplamente se documenta , "Nené" também era o mais "rápido" com as mulheres . E se Moçâmedes foi a última vitória nos automóveis , no "resto" muitas conquistas ( e alguns fracassos , presume-se ) haveria ainda para celebrar .
O banho do vencedor , com Riquita e Céu Castelo Branco . Um verdadeiro cavalheiro nunca permite que duas senhoras se afoguem ...
Tudo leva a crer que esta legenda seja relativa à corrida de automóveis , mas ...



Consagração no Estoril

Em Novembro , voltam as corridas ao Autódromo , para terminar oficialmente a época de 1972 . Desta vez o Camaro aguenta o esforço e Ernesto Neves vence a corrida de Grupo 1 , sagrando-se "in extremis" Campeão Nacional .

Na corrida dos Fórmulas destaca-se a presença dos bem competitivos Fórmula Super V , claramente mais rápidos que os Ford . Mesmo assim , "Nené" consegue um lugar na primeira fila da "grelha" , logo depois de Hotz e Leonhard , ambos em Super V . Porém , à quarta volta , Ernesto Neves abandona , alegando instabilidade do carro . Na prova dos Grupos 3 , 4 e 5 , o Lotus 62 vai medir forças com meia dúzia de Chevrons B21 e mais alguns Lola T212 , conseguindo um honroso quinto lugar nos treinos e uma "performance" interessante na corrida , mas acabaria por desistir devido a avaria .

Brands Hatch Fórmula Ford


Em Outubro de 1972 , os melhores pilotos de Fórmula Ford de 18 países encontram-se em Brands Hatch , Inglaterra , para um Festival Internacional de Fórmula Ford onde participam 36 concorrentes . A representação portuguesa fica a cargo de Ernesto Neves , em Lotus 69 Novamotor , e Santos Mendonça , em Merlyn MK20  Scholar . Durante a corrida , "Nené" anda sempre junto dos mais rápidos e acaba num honroso 7º lugar , atrás de Larry Perkins , um australiano que chegaria à Fórmula 1 . Santos Mendonça abandona , traído pela mecânica , mas a equipa portuguesa mostrou-se claramente à altura das circunstâncias .


Jornal "Motor" , 26/10/1972


Quinto lugar nos treinos . Not bad , really .

Dose Dupla no Monte do Faro

A época de 72 aproxima-se do fim e o "circo" dos campeonatos nacionais desloca-se até ao Minho , para disputar a subida do Monte do Faro , cerca de 2 km de alcatrão ( em mau estado ) e paralelipípedo . Para não variar , "Nené" vence a Fórmula Ford e a prova dos  Grupos 3,4 e 5 , conquistando a vitória absoluta e um novo record , com o Lotus 62 . Quanto ao Grupo 1 , o Camaro voltou a não colaborar , desta vez devido a uma avaria na caixa de velocidades , o que levou o Team Palma a ponderar uma tranquila passagem à reforma do "grande amigo" americano . Que , no entanto , ainda não estava totalmente "arrumado" , como adiante se verá .

O Lotus 61 M a caminho da vitória . Reparem bem no piso e imaginem o "conforto" dentro do habitáculo .
A parte mais "suave" da subida era formada por alcatrão irregular e a estrada era limitada por uns bem visíveis e ameaçadores "mecos" de granito . Só recomendável a gente com "coração" muito forte .
Talvez o Camaro tivesse a suspensão mais confortável para este tipo de piso , mas parece que a caixa de velocidades não terá gostado do excesso de vibrações .

Circuito Nacional do ACP

Em finais de Setembro  disputa-se , num Autódromo do Estoril ainda longe de completo , o Circuito do ACP , que vai trazer um pouco "mais do mesmo" ao limitado panorama automobilístico nacional . Na primeira corrida , Grupo 1 , Ernesto Neves parte da "pole position" e rapidamente se afasta da concorrência , formada por "Nicha" Cabral e Carlos Santos , em BMW 2002Tii , e Ribeiro de Sousa , em Alfa Romeo 2000 GTV , entre muitos outros . Mas  à 7ª volta , quando travava para os "s" , "Nené" ouviu um "estalar" de qualquer coisa e ainda pensou que teria problemas com um pneu . Parou na box , para inspeccionar , e logo se constatou que o semi-eixo traseiro esquerdo tinha partido . Fim de corrida para o Camaro e vitória para "Nicha" . Passando à prova dos Grupos 3,4 e 5 , encontramos os "suspeitos do costume" , excepção feita ao Chevron B21 de Carlos Gaspar , que se revelou o mais rápido nos treinos . Porém , durante a corrida "Nené" não deu hipóteses ao bem mais competitivo Chevron de Gaspar , acabando por ultrapassá-lo na terceira volta para não mais largar a liderança . Finalmente , realizou-se a corrida de Fórmula "Livre" , assim designada por incluir 8 Fórmulas Ford , 8 "Vês" e ainda mais 8 carros da Fórmula 1430 espanhola , formando uma original e lusitaníssima "grelha" . Uma vez mais , "Nené" chega em primeiro , completando o "hat trick" do costume .
O Chevron B21 de Carlos Gaspar ainda vai na frente , mas vai perder a posição para o Lotus de "Nené".
Partida para a corrida de Grupo 1 . "Nené" sai da  "pole" , tendo a seu lado o Alfa GTV de Ribeiro de Sousa e o BMW de "Nicha" Cabral .


O Camaro já lá vai , BMWs e Alfas fazem a perseguição . Mas , no final , seria o carro nº 25 a fazer a festa .


De Volta a Interlagos

Terminado o circuito de Vila do Conde , um "team" alargado , formado pelas equipas "Palma" e "Aurora" , vai atravessar o Atlântico , para disputar os 500 km de Interlagos , prova que se disputa no fim de semana seguinte , a 3 de Setembro . Obviamente , carros e pilotos não têm sequer tempo para recuperar dos esforços de Vila do Conde , muito menos para se prepararem convenientemente . Em qualquer dos casos , a concorrência era tão forte que a representação portuguesa a mais não ambicionava do que a uma prestação condigna . A "maquinaria" nacional era composta pelo Lotus 62 de "Nené" e pelo obsoleto Lotus 47 de Carlos Azevedo , do Team Palma , e os Porsche 907 e 906 de Carlos Santos , tripulados pelo próprio e por  Artur Passanha , assistidos pela "Aurora" . Augusto Palma , Eduardo Santos , Pedro Rasteiro e o mecânico David completavam a "embaixada" portuguesa . A corrida foi ganha por Reinhold Joest , em Porsche 908/3 , um nome que viria a fazer mais sucesso como director de equipa do que como piloto e que em Interlagos obteve a sua primeira vitória internacional . Luis Pereira Bueno , em Porsche 908/2 e , Herbert Muller , em Ferrari 512M , completavam o pódio . Ernesto Neves seria o melhor classificado dos portugueses , terminando em 9º lugar , uma "performance" brilhante , se atendermos à qualidade dos carros em pista e ao facto de os portugueses estarem desgastados pela viagem e pela agitadíssima vida nocturna de S. Paulo .
A equipa , à partida para S. Paulo . Em pé : Pedro Rasteiro , Carlos Azevedo , "Nené" , Manuel Palma , Artur Passanha , ? , David . De joelhos : Augusto Palma , Carlos Santos e Eduardo Santos . A presença de Manuel Palma nesta fotografia , abraçando carinhosamente o "seu menino" , pode considerar-se uma raridade e uma demonstração do imenso afecto que tinha por "Nené" , uma vez que se sabe que só muito raramente o "pai" Palma aparecia em eventos públicos , incluindo corridas . Tal como acontecia com um outro grande senhor dos automóveis , Enzo Ferrari .
No "armazém" , o Lotus de "Nené" e um dos Porsche 908 , em fundo
Uma fase da corrida , em que Luís Pereira Bueno , em Porsche 908/2 é perseguido por Reinhold Joest , em Porsche 908/3 . Este último viria a ser o vencedor .










Tragédia em Vila do Conde

Sábado , 26 de Agosto de 1972 . Às 16,30 dá-se início aos treinos para a corrida de Fórmulas V e Ford , em que participam Ernesto Neves , com o Lotus 69 , e Luís Fernandes , com o Lotus PLT , entre outros . Logo na primeira volta , ao chegar à "curva do rio" , Luís Fernandes perde o controle do seu carro e este mergulha , desgovernado , no rio Ave . Apesar da relativa rapidez dos socorros , o piloto foi retirado da água já sem vida , tornando-se na primeira vítima fatal de uma corrida de automóveis  em Vila do Conde . Sintomaticamente , o jornal local  "Renovação" , órgão oficioso do partido único , ANP , sempre tão expressivo quando se tratava de anunciar as corridas , não escreveria uma única palavra sobre os resultados desta prova e , muito menos , sobre o acidente de Luís Fernandes .  "Nené" seria  o vencedor da Fórmula Ford e da corrida de Grupos 3 ,4 e 5 , com o Lotus 62 . No Grupo 1, o Camaro começou a "fumegar" e , literalmente , "arrastou-se" até ao final , para frustração dos milhares de adeptos vilacondenses, nada habituados a ver o seu ídolo andar tão devagar . Mas a ocasião não era para festejos e celebrações , como se verifica pelo "ar" sombrio de Ernesto Neves enquanto "carrega" as suas tristemente conquistadas coroas de louros . Aliás , "Nené" não compareceu à cerimónia de entrega dos prémios e , em consequência ,os respectivos troféus ... desapareceram ! E esta seria a última vez que o grande campeão correria em Vila do Conde , confirmando o velho ditado que diz que "uma desgraça nunca vem só" .


Luís Fernandes , ao meio , foi também um vencedor e uma figura marcante no panorama do automobilismo desportivo em Portugal . A sua memória ficará para sempre ligada ao circuito de Vila do Conde , quer pelo seu desaparecimento quer pelas vitórias que aí conquistou .

Simulação

Curiosíssima simulação que representa um Lotus de Fórmula a dar duas voltas ao circuito de Vila do Conde e que nos dá uma ideia aproximada da perspectiva que Ernesto Neves tinha quando ali pilotava o seu Lotus 69 Novamotor , como aconteceu em 1972 .

Déjà Vu

Segue-se a Rampa da Senhora da Graça , também conhecida por Rampa do Targa , e os resultados repetem-se . Vitória em Grupo 1 , com o Camaro , idem  idem , aspas  aspas na Fórmula Ford e nos Grupos 3,4 e 5 , com o Lotus 62 , sendo que aqui o record anterior foi batido por 14 (!) segundos . Os títulos dos jornais são elucidativos : « Ernesto Neves pela quarta vez» ou ainda «Da invencibilidade de "Nené" à decadência dos fórmulas» , passando por «Camaro / "Nené" , cocktail imbatível » .

Três Vezes Penha

A Rampa da Penha , disputada perto de Guimarães , constava de um percurso de cerca de 3,300 metros de estrada estreita , quase toda ela construída em "empedrado" , o que proporcionava um desafio adicional aos pilotos e um teste bastante duro para as mecânicas , nomeadamente as suspensões . Na prova de Fórmulas havia poucos concorrentes e "Nené" venceu sem oposição , levando o Lotus 61M ao primeiro lugar , com mais de 8 segundos de vantagem sobre o segundo classificado . Em Grupo 1 , o Camaro não deu hipóteses , apesar de mal "caber" na pista . Vitória folgada e record melhorado em 8 (!) segundos , o que é algo de extraordinário . Finalmente , na prova dos grupos 3,4 e 5 , havia expectativa para ver até onde poderia ir o Chevron B21 ex-Roger Heavens , agora com as cores do Team BIP e tripulado por Carlos Gaspar . Mas aí , também , Ernesto Neves mostrou a sua enorme classe ao deixar o segundo classificado , o Porsche 907 de Carlos Santos , a quase 5 segundos . Por seu lado , Carlos Gaspar teve que se contentar com a terceira posição , a 7 segundos do líder . No final , Ernesto Neves declarava que «o carro de Gaspar , o Chevron , é muito superior ao meu , mas só o Carlos poderá explicar esta diferença tão exagerada nos tempos » . Por seu turno , o piloto do Norte dizia que « o Nené reune um conjunto de factores totalmente favoráveis , de que resulta ele render 100% . Conhece bem o carro e a rampa e a sua prática neste tipo de prova também é um factor importante».

O Ponto de Encontro

Vila Real era o "ponto de encontro" dos adeptos portugueses com o automobilismo europeu , a única vez na época em que era possível ver em acção alguns dos carros e pilotos que participavam nos principais campeonatos internacionais e , até certo ponto , estabelecer termos de comparação com os melhores portugueses , como Carlos Gaspar , por exemplo , que seria o grande favorito para a corrida principal , ao volante do Lola T280 do team BIP . No entanto , seria Ernesto neves , uma vez mais , a fazer a festa . Começaria por vencer a corrida de Grupo 1 , com o Camaro Z28 , apesar da chuva que muito complicava o controle do pesado Chevrolet e que levou César Torres a proclamar o conjunto como "carro grande , piloto enorme" . No final , "Nené" deixou o segundo classificado ( Carlos Santos , em BMW ) a quase minuto e meio de distância . Já na Fórmula Ford ocorreu um pequeno "drama" , devido à recusa do nosso campeão em participar na corrida , a menos que lhe fosse pago o mesmo prémio de alinhar que foi atribuído aos concorrentes estrangeiros inscritos nesta prova , cerca de cinco contos , em moeda antiga . Como a organização não pagou , "Nené" não correu , para desespero dos seus milhares de fãs  mas , em compensação , veria o seu amigo Artur Passanha  receber a coroa de louros do vencedor . Finalmente , na corrida principal , Ernesto Neves consegue o prodígio de classificar o pouco competitivo Lotus 62 na terceira posição da grelha , batendo uma série de Chevrons B21 e Lola T290 , entre outros . No entanto , a embraiagem do Lotus acaba por ceder , durante a corrida , levando ao seu abandono .


Serenata à chuva ...

"Nené" faz uma partida brilhante , mas o motor Cosworth DFV 3 litros do Lola de Carlos Gaspar rapidamente iria impor a sua lei . No entanto , seria o Lola T290 de Claude Swietlick a vencer a corrida .

Magister Dixit

A estrada da Serafina , às portas de Lisboa , era um dos locais favoritos para os  "fanáticos" dos automóveis da capital testarem o seu talento e as suas máquinas , improvisando verdadeiras corridas ao longo da rampa , enquanto as autoridades fingiam que não viam . Uma vez por ano , porém , a rampa mudava de nome ,  chamava-se Monsanto , e era completamente legal subi-la de acelerador a fundo  , mas tal exercício só era recomendável a quem sabia da "Arte de bem conduzir estrada acima" .
Mais de uma centena de concorrentes apresentou-se à partida para a Rampa de Monsanto , onde Ernesto Neves vai produzir mais uma exuberante demonstração de talento , vencendo de forma absolutamente categórica os três agrupamentos em que participou  ( Grupo 1 , Grupos 3,4 e 5 , e Fórmula Ford ) ,  pulverizando , pelo caminho , o record absoluto da prova . O "festival" começou no Grupo 1 , onde "Nené" , com o Camaro Z28 , "deu" quase três segundos ao melhor classificado da concorrência , formada por nomes como Bernardo Sá Nogueira , "Nicha" Cabral , Carlos Santos , Melville , e muitos outros . Na Fórmula Ford a história repetiu-se e o segundo classificado ficou a quase 2 segundos , enquanto que o Lotus 62 "esmagava" os Porsche 907 e 906 de Carlos Santos e Américo Nunes , respectivamente , na prova de Grupos 3,4 e 5 .
Explica Ernesto Neves :  « Esta rampa é muito curta e tem uma recta grande que é quase metade da sua extensão total . Tem meia dúzia de curvas mas que , de qualquer maneira , não deixam de marcar uma certa diferença entre os que andam e os que não andam . No meu Lotus 62 só faço três mudanças para efectuar todo o percurso . Isto é significativo . »
Magister dixit .



O Santuário

Nada tem a ver com Fátima , muito embora ficasse situado bem perto da igreja com esse mesmo nome , em Lisboa . Este "santuário" ficava situado nas oficinas de Palma & Morgado , lugar de "devoção" e de "peregrinação" obrigatória para todos os apaixonados pelo desporto automóvel em Portugal , nos anos 60 e 70 . Era também aqui que os carros de Ernesto Neves e de outros pilotos da época eram preparados , como aqui se dá conta através desta reportagem publicada no "Motor" dias antes da estreia da pista do Estoril . A azáfama era total e as imagens "falam" por si . Repare-se na impressionante quantidade de coroas de louros com que "Nené" e seus amigos decoravam o local .


Ainda o Estoril

Partida para a corrida de Grupo 1 , vendo-se o BMW 2002 tii de Carlos Santos a tomar a liderança , seguido por Bernardo Sá Nogueira , em Alfa Romeo GTV , e "Nicha" Cabral , em BMW 2002 . O Camaro de "Nené" vem a seguir , mas não terminaria a prova , por avaria .

O Camaro aproveitava todos os milímetros de pista , mas ainda não "chegava" para os BMW


O Lotus 69 Fórmula 3 em plena acção , na parabólica .
Vê-se bem na tampa de vávulas, a marca da Vegantune, que elaborou o motor deste 69. Foi alugado pelo Jeff Uren ao australiano Ross Ambrose ( Carlos Guerra )

A Estreia do Estoril

Em 1972 Portugal vai ter , tardiamente , o seu primeiro autódromo , concebido "de raiz" para receber a Fórmula 1 e dotado , portanto , de características e condições jamais vistas por estas paragens . Para estas corridas , realizadas em Junho , pouco mais existe além da pista , uma vez que bancadas e outras estruturas ainda não estão terminadas . Para a corrida de Fórmulas ( Ford e V ) "Nené" , com o Lotus 61 , parte do segundo lugar da grelha , entre Roelof Wunderink e Danny Sullivan , nomes que se tornariam famosos no desporto automóvel mundial , nomeadamente o segundo , que andou na Fórmula 1 e se distinguiu na Can-Am . O vencedor viria a ser Wunderink , com Sullivan logo a seguir . Depois , Ernesto Neves vai fazer a sua estreia na Fórmula 3 , com um Lotus 69 alugado em Inglaterra e que desconhecia em absoluto . Mesmo assim , consegue a quarta posição na grelha de partida e mantém uma luta prolongada com o Martini de Jacques Coulon até que é forçado a abandonar por avaria mecânica . Michel Leclerc e Alain Serpaggi , pilotos oficiais da Alpine Renault , ocupariam os dois primeiros lugares , no final da corrida . Na prova de GT & Desporto ,  o Lotus 62 chegou a ameaçar o Chevron B21 de Roger Heavens e o Lola T280 de Carlos Gaspar ( em baixo ) , mas este último dispunha de um carro e de um motor muito superiores à concorrência , acabando por ganhar a corrida praticamente sem oposição .


"Nené" , com o Lotus 69 , persegue o Martini Fórmula 3 de Jacques Coulon .


Partida para a corrida de Fórmula 3 . Os dois Alpine Renault oficiais de Serpaggi e Leclerc ocupam os dois primeiros lugares , enquanto o GRD de Rousselot  completa a primeira fila . O Lotus amarelo de "Nené" vem logo a seguir .



Na Covilhã

Mais uma extraordinária demonstração de exuberante talento por parte do "vencedor do costume" , que conquista a vitória absoluta ( Lotus 62 ) , record da prova , vitória em Fórmula Ford e , finalmente , vitória no Grupo 1 , com o recém estreado Chevrolet Camaro Z28 . Em ambos os Lotus muda apenas a cor , ao gosto do novo patrocinador , mas o Camaro vem trazer um elemento completamente novo nas pistas portuguesas :   cavalos , muitos cavalos , à solta no turismo de série .



  Chevrolet Camaro Z28 , motor V8 , 5 litros de cilindrada , 300 cavalos

Começa 1972

Com a Rampa da Pena , uma das provas que Ernesto Neves  garante ser capaz de fazer  "de olhos fechados" , dá-se início à época de 1972 , que promete novidades . Vitória com o Lotus 61M , em Fórmula. Ford , e com o Lotus 62 nos Grupos 3,4 e 5 , obtendo também o record absoluto . Mas vejamos as recomendações de  "Nené" para obter resultados na Pena : « A escolha dos amortecedores , a sua regulação , os pneus e as respectivas pressões , são pormenores que "valem" décimos de segundo e como tal não podem ser descurados. Sem um treino intensivo será sempre difícil fazer tempos significativos . Há que conhecer o traçado curva por curva e fazê-lo ao milímetro , sem hesitações ».

Em baixo , "Nené" explica , de memória , como faz a Rampa da Pena



Troféus

Em 1970 , o jornal "Época" instituiu um troféu para homenagear a personalidade que mais se distinguiu no desporto automóvel , em Portugal . Trata-se de uma escultura representando um  volante com o emblema da Lotus , um "adereço" que foi acrescentado posteriormente . Notem-se , também , os belíssimos troféus criados pelo clube Arte e Sport , sob a forma de capacetes , relativos ao ano de 1969 .



Em baixo , admire-se  o magnífico trabalho de ourivesaria realizado em prata genuína , a Taça Câmara Municipal de Vila Real , para premiar a volta mais rápida em Fórmula V , e a taça da Comissão de Turismo da Serra do Marão




Lotus 62

Apesar de não ter vencido em Vila do Conde , o Lotus 62 do Team Palma é , em finais de 1971 , o carro mais competitivo existente em Portugal . Porém , tal estado de coisas não irá durar muito mais tempo , pois já se fala que o modesto parque automóvel nacional vai ser enriquecido com alguns "objectos" de luxo , para 1972 .